Multribuição: interação e colaboração em pesquisas em rede

10/04/2011 01:55

José Alberto de Francisco Rodriguez*

Nilton Bahlis dos Santos*

 

Estão mais adiantadas as pesquisas sobre como conectar máquinas em rede, que as pesquisas sobre como conectar pessoas em rede. Não sabemos exatamente como aumentar a capacidade de uma rede de mentes humanas. Não existem estudos sobre os “protocolos” deste tipo de rede.

A atividade em rede impõe limites para as pessoas fazerem as coisas como estão habituadas. Isto acontece porque ela exige uma forma de trabalhar, pesquisar e aprender, que tem pouco a ver com as práticas tradicionais. As pessoas, nas relações que estabelecem em seu cotidiano, colaboram de modo instintivo: coordenam-se, cooperam e agem em grupos pequenos, sem maiores esforços. Mas quando as relações se tornam mais complexas, é uma necessidade a introdução de tecnologias. E isso tem dois efeitos aparentemente contraditórios:

- Por um lado, a colaboração instintiva se torna difícil. Não conseguimos ter a mesma intensidade obtida mediante a colaboração mediada pela comunicação intersubjetiva, onde percebemos inflexões de voz, micro-expressões faciais, gestos corporais… Tudo isso permitia uma interação emocional crucial. O sistema de neurônios espelho, fundamental para a empatia e para aprendizado de tarefas por imitação, não pode ser utilizado nesse caso.  
- Por outro, a introdução de tecnologias interativas aumenta as possibilidades de outro tipo de colaboração. Equipes de milhões de pessoas podem colaborar de maneira efetiva, sem a necessidade de hierarquia, centralização ou mesmo de objetivos comuns e conscientes. 

Em 1950, metade das publicações na área das ciências exatas era produzida por equipes, número que subiu para 80% nos últimos anos. O tamanho das equipes era de 1,8 pesquisadores, hoje subiu para 3,5 (WUCHTY, 2007).

A pesquisa científica avançada ou é colaborativa, ou não existe. Isoladamente, uma pessoa não consegue abarcar a diversidade de conhecimentos necessários, nem mesmo para ela. Precisa do trabalho de outras pessoas. E mesmo que um cientista pudesse sozinho criar ciência, ele necessitaria a crítica e a avaliação de seu trabalho. Isso também é colaboração.

 

José Alberto de Francisco Rodriguez

PhD em Economia da Informação pela Universidad Complutense de Madrid, pesquisador da Fiocruz, professor do Tracor (Espanha) e da Forem (Espanha).

 

Nilton Bahlis dos Santos 

Doutor em Ciência da Informação pela UFRJ/IBICT, Coordenador do Núcleo de Experimentação de Tecnologias Interativas (NEXT) e do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT).

 

O artigo pode ser lido na íntegra através do link: http://www.reciis.cict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/425/768.

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